sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O que faltou ser...

Noite cai
Então o que chegou?
Noite vai
Então o que sobrou
Do olhar seguro e das promessas que eu ouvi
De amar, de ser um só, de nunca desistir?

Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você
De tudo o que faltou ser
Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você
De tudo o que faltou ser

Noite cai,
Por que não traz pra mim?
Noite vai
Não leva o que eu vivi
Enquanto, mesmo longe, eu te sentia aqui
Enquanto a verdade soube conduzir

Se tudo o que eu sou
Foi sempre seu
E agora?
Você levou tudo o que eu sabia de mim
E agora?

[Sandy]



Não fale mais
Leve o que é seu e só

Que o sol já vem
E com ele outro dia

Se descobrir
Vá crescer
Entender e saber
O que quer, quem você quer.
Não me faça mais chorar
Como se eu fosse nada
Para o ego do meu bem
Quantas você tem
Quantas você faz sofrer
Seduzindo o mundo
Quantas ficam ao seu bel-prazer

Cresça
Me deixe em paz
Mesmo que eu sofra mais
Agora tudo é seu
Amanhã serei bem mais feliz

Preciso ser mais forte
Para não voltar atrás
Aliviando o desespero
Para adiar o sofrimento

[Vanessa da Mata]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eu quero um colo...

Eu quero um colo,

um berço,
um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo
e pareça querer me fazer chorar.
eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência
e depois sem som,
um sonho calmo,
um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas…

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?"


Fernanda Young

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Nunca lhe falei da minha paixão...


''Nunca lhe falei da minha paixão, mas ele deve ter ouvido alguns segredos que os meus olhos, traiçoeiros, deixaram escapar nas raras vezes que permiti tocarem os dele. Deve ter percebido a palidez que vestia meu rosto ao encontrá-lo. Depois, o rubor. As palavras trôpegas, desconexas, tentando achar o caminho da lógica. Aquele texto inadequado para o contexto que a gente diz e depois, ao relembrar, faz um muxoxo, balança a cabeça aborrecidamente, e diz pra si mesmo: “Ai, meu Deus!...”
Deve ter ouvido o meu riso desafinado, que em algumas circunstâncias era motivado apenas pelo nervosismo. O outro falando de uma coisa que não tem graça nenhuma e a gente rindo, sem poder explicar a aparente esquisitice. Deve ter ouvido a mão gelada que apertava a dele levemente para não ser desmascarada. E aquele ar meio patético que as pessoas costumam ter quando se apaixonam. A boca é o que menos fala no corpo. Imagino que deve ter ouvido algumas dessas vozes que falavam em mim sem que eu pudesse contê-las.
Mas, ainda que tenha ouvido, não ouviu tudo. Não soube que eu inventava os pretextos menos criativos para vê-lo. Que planejava a maioria dos encontros que eu chamava de coincidências. Que antes de ir até onde ele estava, passava mais perfume que de costume. Mudava, várias vezes, a roupa, o batom, o humor. Enchia a boca com balas de hortelã. Ficava incontáveis minutos em frente do espelho, procurando o melhor ângulo, o melhor sorriso, a melhor expressão de surpresa. Ensaiava, em vão, como agiria quando o encontrasse: o cumprimento, os gestos, as palavras. Todo um roteiro meticulosamente estudado para ser traído, em poucos segundos, pela inabilidade que me dominava ao me flagrar diante dele. Aquele esforço sobre-humano para aparentar serenidade com uma escola de samba desfilando no coração.
Nunca soube que, depois de encontrá-lo, relembrava cada detalhe durante todas as horas que antecediam o próximo encontro. A rota que seus olhos percorreram, cada movimento, cada vírgula da sua fala, cada nuance de entonação. Era como se eu quisesse descobrir alguma possibilidade de correspondência. Ainda que pequena. Ainda que remota. Relembrar também era uma forma de senti-lo perto de mim de novo e de poder olhar para ele sem reserva, sem cautela, debruçada na janela da minha imaginação.
Mesmo que tenha suspeitado de que eu sentia algo, não descobriu tudo. Não descobriu que seu riso era a canção de que eu mais gostava. Que sussurrava seu nome repetidas vezes, e com tanta delicadeza, que ele bailava nos meus ouvidos como um poema. Um mantra. Uma música. Que eu queria conhecer o lugar onde os seus sonhos moravam para poder acordá-los, vez ou outra, quando adormecessem. Que em alguns momentos, no auge da minha ilusão, senti vontade de pedir que jogássemos as armas no chão para que nossas mãos pudessem se encontrar.
Nunca descobriu que escrevi versos que não lhe mostrei e cartas que jamais entregaria. Que muitas vezes, a pedido do meu coração, liguei apenas para ouvir sua voz dizer alô e desliguei sem uma única palavra. Que fantasiei delícias. Que cantei todas as músicas de amor que eu sabia lembrando dele. Que lembrava ao acordar. Que adormecia lembrando. Que lembrava tanto que achava ter enlouquecido, ô troço obsessor essa tal de paixão. E que, às vezes, lembrar doía, uma dor fina e morna crescendo no peito, como doem os sonhos que não acontecem e que a gente desconfia que não vão mais acontecer.''


Ana Jácomo

VOCÊ VAI LEMBRAR DE MIM

Quando eu te vejo
Espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo

Minha boca encosta
Em tua boca que treme
Meus olhos eu fecho
Mas os teus estão abertos

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.

Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Que explica, tudo sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.

[Milton Guedes]

domingo, 13 de fevereiro de 2011


"Choro são só palavras não ditas querendo escorrer pelos
olhos da gente"


[Cris Carvalho]

Amanhã eu recomeço...


E quando o aperto é grande, melhor voltar-se pra dentro e procurar uma luz qualquer, até voltar a florir. Porque, às vezes, no meio desse monte de sentimentos sujos, a gente acaba achando um sorriso perdido, um brilho no olho, um céu estrelado que nos faz acreditar tudo de novo.

Pra que ficar procurando sentido nas coisas? Não deu certo e acabou. Amanhã, amanhã eu recomeço e viro Scarlett (a O'hara) outra vez. Brinco de adivinhar sorrisos, bordar estrelas no tecido escuro da noite, domesticar saudades e firmar os passos. Porque a vida é mais que um momento triste, a vida é grande, é todinha mágica, do começo ao fim.

Amanhã, amanhã recomeço.

[Cris Carvalho]